terça-feira, 10 de maio de 2011

O meu lugar...

Eu não pertenço a este lugar.
É uma conclusão a que cheguei nos últimos dias.
Sou, e assim me considero, um verdadeiro estrangeiro.
Não me adapto a este novo lar, essa nova cidade, essa nova gente. Rostos estranhos que não me encaram, não me olham, como se o fato de minha clandestinidade aqui fosse tão óbvia que se me olhassem, instantaneamente, em medo e horror, mergulhariam.
Meu Mundo é outro.
Vim de um lugar onde Deus mora, ou pelo menos é bem perto.
Lá, um estranho tipo de pensamento comunitário impera. Todos trabalham, mas trabalham pela consciência da busca do bem comum, pelo desenvolvimento social. Não existe salário, não existe dinheiro. As reservas de alimentos são comuns a todos e todos cumprem com seu dever de não desperdiçar.
Na Internet, redes sociais não existem pelo simples fato das pessoas não terem loucas necessidades de aparecerem, de serem vistas. E, mesmo com todos estes fatos, lá a vida não se torna chata ou menos interessante. Não! Porque a vida é naturalmente bela e fantástica, sempre foi assim e todos lá entendem isso.
Lá, as pessoas escrevem mais, lêem mais, caminham, correm, acampam, choram, sorriem (e como sorriem), tomam banhos de chuva e de sol, andam de bicicleta pra ir e voltar do trabalho, existem carros mas não existem congestionamentos diários, nem existem viadutos, nem postes e fios elétricos pelas ruas.
Do mundo onde eu vim, tem uma Porto Alegre também. Ela é tranquila e agitada nos momentos certos, as casas tem a arquitetura do bairro Bom Fim e da Tristeza dos anos 70, nenhuma residência possui muros ou cercas, não existem prédios, o Araújo Vianna tem shows semanais, a Osvaldo Aranha tem bares de Rock(de verdade) que embalam as noitadas. Lá o Guaíba tem ondas, as pessoas viajam para conhecer outros lugares mas a saudade do Porto dos Casais sempre as faz voltar. Eu sinto muita falta da minha Porto Alegre, dos porto-alegrenses e das porto-alegrenses... Ahh as gurias de Porto Alegre. Elas são lindas e únicas. Pequenas, altas, magras, gordas, negras, brancas, amarelas, não usam maquiagens e não são menos belas e femininas por causa disso.
A beleza delas está nos seus olhares, nos seus sorrisos, na sua simplicidade de agir. Elas beijam e abraçam sem medo ou maldade. No meu mundo demonstrações de carinho não são mal-interpretadas como aqui, porque lá elas são incentivadas.
Provavelmente a minha dificuldade em me aproximar das mulheres daqui se dê ao fato de que não entendo e não suporto as regras e pré-conceitos e pré-concepções que os habitantes deste mundo tem sobre atitudes e dizeres dentro de relações.
Regras pré-estabelecidas...
As pessoas daqui insistem em regrar tudo. Elas não entendem que toda a relação entre homem e mulher é única, sem igual, sem precedentes. Toda relação a dois deve ser livre pra crescer da melhor maneira possível até o infinito, até o Amor, até Deus. Mas o que eu vejo é que por aqui todos insistem no erro de limitar seus sentimentos.
Não sei o porque de eu ter vindo parar aqui, mas sei que tudo tem um propósito, um sentido. Gostaria mesmo é de me mandar, me purificar, largar toda essa sujeira. Mas, se é o desejo de algo maior do que a minha compreenção, de que eu esteja e permaneça aqui, nessa loucura de lugar, que me cansa, me esmaga e me oprime, eu fico. Não vou fugir, nem tão pouco mudar, eu tentarei me adaptar.


Mas um dia, sem dúvida alguma, eu volto... eu volto pro meu lugar.

3 comentários:

Edina Luciani disse...

Texto perfeito!

Anônimo disse...

com a média de 2 posts por ano hehe

Chele disse...

Uau! Grande texto, muito bom. Sonho com o dia em que todos seremos estrangeiros =P Vivendo neste mundo com mais valores, com mais amor.