sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Utopia

"Será que as coisas boas da vida estão diretamente ligadas a tudo o que é, no mundo ,mais simples e humilde?"


Com toda a certeza, posso afirmar-lhes que meus maiores ídolos hoje são o Sr. Jeferson Amaral de Souza e a Sra. Senair Aliantarina Pinto. Meus pais.
Tudo o que eu sei que eles passaram na juventude, todos os medos e sustos da minha mãe, todas as dificuldades financeiras do meu pai, saber que após terem vivido tantas provações ainda conseguiram criar minha irmã e eu da maneira com que criaram - sem grandes luxuosidades, porém com todo o amor e carinho que os filhos precisam de seus pais. Isso tudo me faz sentir bem em todos os momentos difíceis da minha vida.
Dentre esses meus vinte anos de idade, ja presenciei muita coisa no que diz respeito a vivência familiar. Coisas boas, coias ruins, crises financeiras sérias, problemas de relacionamento pais-filhos, e, logicamente, também suas soluções.
Apesar de todos os nossos problemas, meus pais nunca abriram mão de que tivéssemos uma educação de qualidade, por isso nem sempre sobrava muita coisa depois de pagar mensalidades da escola, material escolar, passagens de ônibus,etc... Mas mesmo no aperto, quando éramos pequenos, meu pai e minha mãe em sociedade com meu tio e meu padrinho, compraram um terreno na praia de magistério, praia do município de Balneário Pinhal, litoral sul do RS. A nossa casa ficou localizada na rua Porto Alegre, na chamada quadra "D", há uns quinze minutos a pé do mar.
Ah... como eu sinto saudades daquele lugar!
Sempre foi comum que pessoas dissessem achar estranho eu veranear lá e afirmar não tracar aquilo por nenhum outro lugar no mundo. Até eu já pensei estar "louco" quando elogiava tanto um lugar sem a mínima expressão, sem o menor destaque, mas hoje eu tenho a certeza de que nenhuma daquelas minhas palavras ditas eram errôneas de alguma forma.
Todas as experiência que eu tive naquele lugar, ajudaram a formar a pessoa que eu sou hoje. Lá eu aprendi a pescar, a dirigir, a nadar, a jogar taco. Foi lá que, na minha infância, meus lábios tocaram os lábios de uma menina pela primeira vez e também foi lá, alguns anos mais tarde, novamente a minha primeira vez.
Foi lá que eu descobri o que quer dizer "refúgio'', lá eu entendi como meu avô conseguia fugir dos problemas. Por falar nisso meu vô era um sujeito interessante. Não lembro de ter estado na praia junto dele, provavelmente eu nunca estive, mesmo assim aquela casinha de madeira sempre me lembrava ele. Ele adorava aquele lugar, porém só o frequentava no inverno, quando tinha a certeza de que estaria sozinho. Sozinho pra pescar, andar, gritar(já que a nossa rua vira uma "rua fantasma" na baixa estação). Eu lembro que no verão após a morte dele eu cheguei e encontrei os kits de pesca dele espalhados pelo quarto onde eu durmia. Meu vô presava muito seus momento a só, e provavelmente este sentimento seja a melhor coisa que eu tenha herdado dele.
A nossa casa da praia continua lá, já está bem velhinha e desgastada pelo tempo e pela falta de conservação. Os cupins a cada dia que passam tomam mais conta de toda a estrutura.
No último dia 30 de dezembro, minha mãe, já cansada em um dos seus empregos me liga: "Filho, não faz mais planos pro verão. Acabei de vender a casa." Não a culpo, no seu lugar eu teria feito a mesma coisa. Aliás, quando recebi essa notícia, não fiquei realmente triste, eu sorri. Naquele instante eu lembrei de tudo o que eu passei lá, das paixões ardentes, de todos os carnavais, da ausência de um muro ou cerca que demarcasse o terreno, o que me dava a sensação de uma liberdade absoluta. Tudo isso passou na minha cabeça como um filme.
Minha intenção com este texto não é vir até aqui me martirizar ou muito menos me vangloriar pela minha tão amada família, mas sim, exaltar as coisas simples da vida, das quais as pessoas ás vezes não dão muito valor.

A nossa casa da praia não é mais "nossa", porém o que ficou guardado em mim foram as lembranças do pôr-do-sol à beira-mar e como sempre naquele instante ,rodiado de amigos que marcaram minha vida, eu sempre viajava em meio a pensamentos utópicos de que o mundo era perfeito e que naquele lugar eu realmente havia encontrado uma razão pra viver.

2 comentários:

Unknown disse...

Se em ti, anteriormente, eu tivesse visto alguém com potencial para ser um amigo íntimo e verdadeiro, agora tenho certeza de que estava correta. Não entendia o porquê de me sentir tão bem perto de ti,mas depois de conhecer nesse lindo texto um pouco dos teus sentimentos, recordações e desejos reconheci o que estava evidenciado bem abaixo de meus olhos: nós somos muito parecidos. Devido a uma série de fatores em comum, antes desconhecidos, eu já gostei de ti. Apesar de já ter ouvido da tua boca algumas tantas vezes, que eu só te conhecerei superficialmente, eu espero sinceramente que nessas ocasiões tu estivesse mentindo para mim. Se antes, gostei de ti,agora passoa a te admirar como escritor; como pessoa; como homem; e, finalmente como amigo. Beijos, Naiara.

Unknown disse...

Ahh se a Rua Porto Alegre da Praia de Magistério fala-se ... Concerteza seria a primeira a citar nossos nomes, pois hoje não existe nenhuma criança q curtiu tanto a sua infância como nós naquele lugar. Ahh Saudades!!!! Mais melhor q a Saudade são as lembranças e as amizades q sempre vou levar comigo daquele simples lugar.