terça-feira, 20 de outubro de 2009

Esse é o Remédio!

“Meu Deus,
eu me arrependo de todo o coração de vos ter ofendido,
por que Sois tão bom e amável.
Prometo com a Vossa Graça, nunca mais pecar.
Meu Jesus, Misericórdia.”



Hoje, 21 de Outubro de 2009, completo também meus 21 anos de vida. Não quero festa nem sequer um presente. Cheguei à conclusão que o momento é inadequado para comemorações.
“Nem sempre as coisas acontecem como nós imaginávamos que aconteceriam.”
Concordo que essa última afirmação seja meio óbvia, mas as maiores obviedades sobre a vida, que algumas vezes recebemos na forma de conselhos, sejam de familiares, amigos ou até desconhecidos, acabam por serem, na maioria dos casos, as palavras mais inteligentes que você precisava ouvir naquele instante. Digo isso por experiência própria.
Quero dizer que eu estou iniciando o vigésimo segundo ano por aqui e então eu resolvo olhar pra trás e, tirando minha família e os meus amigos (poucos e bons), eu não vejo absolutamente nada. Creio que minha maior sorte é que realmente “arrependimento não mata”, porque se fosse o contrário... Melhor nem pensar.
O verbo “arrepender” se tornou uma rotina pra mim. Ele está implícito em todas as fases da minha vida. É difícil explicar, mas é como se eu estivesse dormindo e simplesmente não conseguisse acordar.
Eu acabei me acostumando e fazendo disso o meu “Ser”. Eu me tornei assim. Homem, arrependido e demasiadamente abatido. E talvez seja por isso que eu acabo procurando formas de sorrir em sintonias diferentes da minha, mas que ao final da madrugada vão embora me deixando em buracos ainda mais profundos e obscuros dos quais eu me encontrava anteriormente.
Eu sinto muito por estes anos todos e por todas as coisas que eu não fiz.
Eu me arrependo muito de quando entrei em campo e então gritavam: “VAI!” Mas eu nunca fui. Talvez por a minha perna sempre tremer ou talvez por alguma incapacidade minha mesmo. Eu não sei.
Eu me arrependo de não tê-la beijado os lábios mais vezes e aproveitado mais a sua companhia nos momentos em que eu ainda tinha oportunidades de fazê-lo. Mas a gente só percebe mesmo o quanto alguém nos é importante depois que esse alguém se vai. Eu não tinha como saber.
Eu me arrependo das inúmeras vezes em que eu disse “NÃO!” Quando sempre deveria dizer “SIM”, já que sempre fui o primeiro a me rotular como positivo e do bem. Mas como eu já ouvi tantas e tantas vezes: “... toda palavra faz mesmo diferença se virar ação!”

Eu, infelizmente, não posso mudar o passado. O que passou, passou. O que eu posso fazer daqui pra frente é só me concentrar no meu caminho. No fundo, eu sei exatamente qual é o remédio para o "agora em diante", mas só eu sei como as coisas nunca foram e nunca serão tão simples assim (pelo menos pra mim).
Que DEUS me ajude e me guarde.
Que ELE sempre te Proteja.
Amém.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Utopia

"Será que as coisas boas da vida estão diretamente ligadas a tudo o que é, no mundo ,mais simples e humilde?"


Com toda a certeza, posso afirmar-lhes que meus maiores ídolos hoje são o Sr. Jeferson Amaral de Souza e a Sra. Senair Aliantarina Pinto. Meus pais.
Tudo o que eu sei que eles passaram na juventude, todos os medos e sustos da minha mãe, todas as dificuldades financeiras do meu pai, saber que após terem vivido tantas provações ainda conseguiram criar minha irmã e eu da maneira com que criaram - sem grandes luxuosidades, porém com todo o amor e carinho que os filhos precisam de seus pais. Isso tudo me faz sentir bem em todos os momentos difíceis da minha vida.
Dentre esses meus vinte anos de idade, ja presenciei muita coisa no que diz respeito a vivência familiar. Coisas boas, coias ruins, crises financeiras sérias, problemas de relacionamento pais-filhos, e, logicamente, também suas soluções.
Apesar de todos os nossos problemas, meus pais nunca abriram mão de que tivéssemos uma educação de qualidade, por isso nem sempre sobrava muita coisa depois de pagar mensalidades da escola, material escolar, passagens de ônibus,etc... Mas mesmo no aperto, quando éramos pequenos, meu pai e minha mãe em sociedade com meu tio e meu padrinho, compraram um terreno na praia de magistério, praia do município de Balneário Pinhal, litoral sul do RS. A nossa casa ficou localizada na rua Porto Alegre, na chamada quadra "D", há uns quinze minutos a pé do mar.
Ah... como eu sinto saudades daquele lugar!
Sempre foi comum que pessoas dissessem achar estranho eu veranear lá e afirmar não tracar aquilo por nenhum outro lugar no mundo. Até eu já pensei estar "louco" quando elogiava tanto um lugar sem a mínima expressão, sem o menor destaque, mas hoje eu tenho a certeza de que nenhuma daquelas minhas palavras ditas eram errôneas de alguma forma.
Todas as experiência que eu tive naquele lugar, ajudaram a formar a pessoa que eu sou hoje. Lá eu aprendi a pescar, a dirigir, a nadar, a jogar taco. Foi lá que, na minha infância, meus lábios tocaram os lábios de uma menina pela primeira vez e também foi lá, alguns anos mais tarde, novamente a minha primeira vez.
Foi lá que eu descobri o que quer dizer "refúgio'', lá eu entendi como meu avô conseguia fugir dos problemas. Por falar nisso meu vô era um sujeito interessante. Não lembro de ter estado na praia junto dele, provavelmente eu nunca estive, mesmo assim aquela casinha de madeira sempre me lembrava ele. Ele adorava aquele lugar, porém só o frequentava no inverno, quando tinha a certeza de que estaria sozinho. Sozinho pra pescar, andar, gritar(já que a nossa rua vira uma "rua fantasma" na baixa estação). Eu lembro que no verão após a morte dele eu cheguei e encontrei os kits de pesca dele espalhados pelo quarto onde eu durmia. Meu vô presava muito seus momento a só, e provavelmente este sentimento seja a melhor coisa que eu tenha herdado dele.
A nossa casa da praia continua lá, já está bem velhinha e desgastada pelo tempo e pela falta de conservação. Os cupins a cada dia que passam tomam mais conta de toda a estrutura.
No último dia 30 de dezembro, minha mãe, já cansada em um dos seus empregos me liga: "Filho, não faz mais planos pro verão. Acabei de vender a casa." Não a culpo, no seu lugar eu teria feito a mesma coisa. Aliás, quando recebi essa notícia, não fiquei realmente triste, eu sorri. Naquele instante eu lembrei de tudo o que eu passei lá, das paixões ardentes, de todos os carnavais, da ausência de um muro ou cerca que demarcasse o terreno, o que me dava a sensação de uma liberdade absoluta. Tudo isso passou na minha cabeça como um filme.
Minha intenção com este texto não é vir até aqui me martirizar ou muito menos me vangloriar pela minha tão amada família, mas sim, exaltar as coisas simples da vida, das quais as pessoas ás vezes não dão muito valor.

A nossa casa da praia não é mais "nossa", porém o que ficou guardado em mim foram as lembranças do pôr-do-sol à beira-mar e como sempre naquele instante ,rodiado de amigos que marcaram minha vida, eu sempre viajava em meio a pensamentos utópicos de que o mundo era perfeito e que naquele lugar eu realmente havia encontrado uma razão pra viver.