domingo, 7 de dezembro de 2008

'ONE LOVE'

“E tremam d'ouvi-los
Pior que o sibilo
Das setas ligeiras,
Pior que o trovão.”


Não sei direito explicar o Reggae. Nem sei exatamente como ele surgiu.
Poderia dizer que conheço bem a História de Bob Marley, mas isso também não me ajudaria em explicar a forma com que eu sinto e visualizo a filosofia Reggae.
Filosofia?!
Sim. Uma filosofia.
A filosofia reggae é definida por um tipo de sujeito muito simples, porém muito interessante. Por isso que explicá-la torna-se uma tarefa tão difícil e tão prazerosa ao mesmo tempo.

O REGUEIRO
Eles são politizados e ecologicamente corretos, tem muita fé em suas crenças e através dessas crenças guiam suas vidas.
Tudo bem... eu sou um desses malditos garotos do Reggae. Mas o que me diferencia de ser simplesmente mais um jovem querendo, por algum motivo, se rotular?
A diferença meus amigos, é como eu já disse antes. O reggae não é simplesmente um estilo musical é uma forma de filosofar. Por isso se diz que os regueiros são grandes filósofos. Ser do Reggae não explica as roupas que eu uso ou muito menos as músicas que eu escuto. Ser um Regueiro não é simplesmente sair por aí vestindo verde, amarelo e vermelho. O Reggae é uma cultura, uma realidade e significa o tipo de pessoa que nós somos. Não somos melhores nem piores do que ninguém. Somos, acreditem ou não, bem diferentes.

Que o destino mostre a direção!

Talvez porque já havíamos ingerido alguns copos de chop... talvez o porquê seja o da dificuldade que temos há algum tempo de poder parar pra conversar um pouco assim, sem pressa e sem distrações. O fato é que há alguns dias saí pra dar uma volta com dois grandes amigos meus. Fomos comer em um excelente local de Porto Alegre e ali passamos bons momentos conversando sobre nossas vidas e sobre as mudanças que nela ocorriam. Foi então que assuntos estranhos começaram a surgir, estranhos porém muito interessantes e francos. Começamos a analisar uns aos outros, algumas atitudes que tomamos ou que deveríamos ter tomado e a refletir sobre coisas do futuro, sempre (talvez meio que subliminarmente) comparando-as com o passado, com o nosso passado juntos. Nesse momento que eu disse a eles que escreveria algo no meu blog falando deste assunto.

Por que será que lembranças da nossa infância e adolescência são tão fortes?
É difícil explicar. Tudo parece que era tão belo e tão encantador que pensando um pouco nisso, todos os medos que temos de nossos futuros incertos parecem ter fim no mesmo instante. O mundo parece um lugar melhor quando o olhamos com os olhos de uma criança ‘que brinca e fala tudo o que sente no seu coração, essa beleza que toca no fundo da gente’.
Eu particularmente, mesmo hoje tendo a convicção de que fui uma criança mimada e um adolescente inseguro, posso dizer com certeza que tudo pra mim foi perfeito. TUDO aconteceu do jeito certo, a forma que eu entrei no SMa, no Jardim, até a forma com que eu tive que sair por problemas financeiros da minha família e entrar no PMe na terceira série, e passar três anos inesquecíveis da minha infância lá, até o meu retorno ao SMa.
Eu sinto falta de tudo. Das portas, dos rostos, da expectativa de um dia anterior a uma viagem, dos professores, do pátio, do ginásio, das paredes, de cada tijolo, das Olimpíadas de outubro, das Olimpíadas de Novembro, dos tênis rasgados, dos joelhos esfolados, de tudo. Sinto falta dos guris, que me alegravam e me despreocupavam, sinto falta das gurias, daquelas lindas gurias que encantavam minhas manhãs, meninas as quais eu fantasiava beijos e namoros, meninas essas que eu nunca consegui trocar meia dúzia de palavras o colegial inteiro, e é esse provavelmente o meu único arrependimento da minha vida escolar.


Daqueles dias, restaram apenas as lembranças de um tempo muito bom. Tais recordações, que pra mim hoje são tão vagas e distantes, insistem em vir à tona de tempos em tempos, trazendo junto consigo a sensação inquietante de que eu jamais na vida voltarei a ser... tão Feliz.